Momentos

 

A chuva cai. O ar fica mole...
Indistinto...ambarino... gris...
E no monótono matiz
Da névoa enovelada bole
A folhagem como o bailar.

 

Torvelinhai, torrentes do ar!

 

Cantai, ó bátega chorosa,
As velhas árias funerais.
Minhalma sofre e sonha e goza
À cantilena dos beirais.

 

Meu coração está sedento
De tão ardido pelo pranto.
Dai um brando acompanhamento
À canção do meu desencanto.

 

Volúpia dos abandonados...
Dos sós...-ouvir a água escorrer,
Lavando o tédio dos telhados
Que se sentem envelhecer...

 

Ó caro ruído embalador,
Terno como a canção das amas!
Canta as baladas que mais amas,
Para embalar a minha dor!

 

A chuva cai. A chuva aumenta.
Cai, benfazeja, a bom cair!
Contenta as árvores! Contenta
As sementes que vão abrir!

 

Eu te bendigo, água que inundas!
Ó água amiga das raízes,
Que na mudez das terras fundas
Às vezes são tão infelizes!

 

E eu te amo! Quer quando fustigas
Ao sopro mau dos vendavais
As grandes árvores antigas,
Quer quando mansamente cais.

 

É que na tua voz selvagem,
Voz de cortante, álgida mágoa,
Aprendi na cidade a ouvir
Como um eco que vem na aragem
A estrugir, rugir e mugir,
O lamento das quedas-dágua!

 

Manuel Bandeira 



Postado por: ð¡n às 09h01
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Tudo que realmente preciso saber aprendi no jardim de infância

vale a lição de casa...


1. Compartilhe tudo.
2. Jogue dentro das regras.
3. Não bata nos outros.
4. Coloque as coisas de volta onde pegou.
5. Arrume sua bagunça.
6. Não pegue as coisas dos outros.
7. Peça desculpas quando machucar alguém.
8. Lave as mãos antes de comer e agradeça a Deus antes de deitar.
9. Dê descarga.
10. Biscoitos quentinhos e leite fazem bem para você.
11. Respeite o outro.
12. Leve uma vida equilibrada: aprenda um pouco, pense um pouco…desenhe… pinte… cante… dance… brinque… trabalhe um pouco todos os dias.
13. Tire uma soneca a tarde
14. Quando sair, cuidado com os carros.
15. Dê a mão e fique junto.
16. Repare nas maravilhas da vida.
17. O peixinho dourado, o hamster, o camundongo branco e até mesmo a sementinha no copinho plástico, todos morrem… nós também...

 

...desconheço autoria...



Postado por: ð¡n às 10h02
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"Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata."

 

Clarice Lispector



Postado por: ð¡n às 10h34
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O Amor e o Outro

Não amo
melhor
nem pior
do que ninguém.

 

Do meu jeito amo
Ora esquisito, ora fogoso,
às vezes aflito
ou ensandecido de gozo.
Já amei
até com nojo.

 

Coisas fabulosas
acontecem-me no leito. Nem sempre
de mim dependem, confesso.
O corpo do outro
é que é sempre surpreendente.

 

Affonso Romano de Sant'Anna



Postado por: ð¡n às 10h32
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Arte Final

Não basta um grande amor
para fazer poemas.
E o amor dos artistas, não se enganem,
não é mais belo
que o amor da gente.



O grande amante é aquele que silente
se aplica a escrever com o corpo
o que seu corpo deseja e sente.



Uma coisa é a letra,
e outra o ato,



– quem toma uma por outra
confunde e mente.


Affonso Romano de Sant'Anna



Postado por: ð¡n às 18h30
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Sózinho...

Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado, juntando
o antes, o agora e o depois
por que você me deixa tão solto??
por que você não cola em mim??
Tô me sentindo muito sozinho!!



Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus segredos e planos secretos
só abro pra você mais ninguém
por que você me esquece e some??
e se eu me interessar por alguém??
e se ela, de repente, me ganha??



Quando a gente gosta
é claro que a gente cuida
fala que me ama
só que é da boca pra fora
ou você me engana
ou não está madura
onde está você agora??



Quando a gente gosta
é claro que a gente cuida
fala que me ama
só que é da boca pra fora
ou você me engana
ou não está madura
onde está você agora?


Caetano Veloso



Postado por: ð¡n às 18h27
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Armas da Paixão

 

Removes
a poeira fina de minha alma
E sopras toda melancolia para fora
Tomas o Sol por tua tocha
E a Lua como espada

Te aquartelas em meus sonhos
E fechas as estradas da discórdia
Vestes o manto da paixão
E pelejas contra o mundo;
Em vão...

Rende-se ao que sinto
Amando-te, traspassado pelo fogo da razão
Não minto!
Vejo-te soltar as armas
Despir-se parva
Entregando-se, por fim
Amada

Desnuda-te o espírito
Cumprindo-se ao rito
Acabando por seres minha;
Nua, cândida, alva...


Marcelo Ribeiro



Postado por: ð¡n às 18h36
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A gente se acostuma...

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Marina Colasanti



Postado por: ð¡n às 18h27
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Que importa se a distância estende entre nós léguas e léguas
Que importa se existe entre nós muitas montanhas?
O mesmo céu nos cobre
E a mesma terra Iiga nossos pés.
No céu e na terra é tua carne que palpita
Em tudo eu sinto o teu olhar se desdobrando
Na carícia violenta do teu beijo.
Que importa a distância e que importa a montanha
Se tu és a extensão da carne
Sempre presente?

Drumond



Prece Irlandesa

"Que a estrada se abra à sua frente,
Que o vento sopre levemente em suas costas,
Que o sol brilhe morno e suave em sua face,
Que a chuva caia de mansinho em seus campos,
E, até que nos encontremos de novo...
Que Deus lhe guarde nas palmas de tuas mãos!"



 



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Nas asas de um ANJO
Ana €!¡sa


"-EU AMO VOCÊ..."

Tantas vezes me perdi em imaginar tua boca
Teu olhar...
Sussurros e gemidos no meu ouvido
Falando desse amor tão nosso.

"-Quero ser tanto para ela, estar presente o tempo todo...
cuidar dela...amá-la loucamente, que a possibilidade de não acontecer me assusta "

Nossos sonhos ultrapassam as barreiras da legalidade
Desaparece no querer estar junto
Nos permitimos estar separados...
Protegidos sob as asas de um ANJO
Conduzidos por esse amor que nos prende.
Nos preenche.

"-EUTEAMO"

Imunes??
Não estamos...
Estamos sozinhos nessa torrente de sentimentos
Louca paixão...
Fulminante e fascinante.
-te amo demais

"-eu sei disso......e tb sinto o mesmo"

Torrente de desejos...
Permitido a poucos.

"-sei que não acontece para qqer um, temos até que agradecer a Deus
por nos dar essa oportunidade de amar assim,
pena não ter sido num momento melhor"

-eu agradeço, todos os dias, desde q te conheci...o Homem q vc é...
-foi mágico... único.

"-Temos que aprender a superar ou a suportar"

Os sonhos não podem e nem devem ser superados...
Suportar as dificuldades...
Enfrentar as tempestades...
Sorrir e permitir as calmarias
Repor as energias.
Ter pensamentos perdidos...
Encontrá-los um no outro.

"-precisando muito de vc"

Dê-me força...te dou tempo
Esperanças...te dou minha vida
Protegida sob asas...
Amada sob asas
De um ANJO.



.:: Créditos ::.

.:: Layout: Thomoeda ::.



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