
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria…
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
¬ Miguel Torga ¬
Hoje deitei-me ao lado da minha solidão.
O seu corpo perfeito, linha a linha
derramava-se no meu, e eu sentia
nele o pulsar do meu próprio coração.
Moreno, era a forma das pedras e das luas.
Dentro de mim alguma coisa ardia:
o mistério das palavras maduras
ou a brancura de um amor que nos prendia.
Hoje deitei-me ao lado da minha solidão
e longamente bebi os horizontes.
E longamente fiquei até ouvir
o meu sangue jorrar na voz das fontes.
¬ Eugênio de Andrade ¬
Lembro-me bem do seu olhar.
Ele atravessa ainda a minha alma,
Como um risco de fogo na noite.
Lembro-me bem do seu olhar. O resto…
Sim o resto parece-se apenas com a vida.
Ontem, passei nas ruas como qualquer pessoa.
Olhei para as montras despreocupadamente
E não encontrei amigos com quem falar.
De repente vi que estava triste, mortalmente triste,
Tão triste que me pareceu que me seria impossível
Viver amanhã, não porque morresse ou me matasse,
Mas porque seria impossível viver amanhã e mais nada.
Fumo, sonho, recostado na poltrona.
Dói-me viver como uma posição incómoda.
Deve haver ilhas lá para o sul das coisas
Onde sofrer seja uma coisa mais suave,
Onde viver custe menos ao pensamento,
E onde a gente possa fechar os olhos e adormecer ao sol
E acordar sem ter que pensar em responsabilidades sociais
Nem no dia do mês ou da semana que é hoje.
Abrigo no peito, como a um inimigo que temo ofender,
Um coração exageradamente espontâneo,
Que sente tudo o que eu sonho como se fosse real,
Que bate com o pé a melodia das canções que o meu pensamento canta,
Canções tristes, como as ruas estreitas quando chove.
¬ Fernando Pessoa ¬
Dos lábios que me beijaram,
Dos braços que me abraçaram
Já não me lembro, nem sei…
São tantas as que me amaram!
São tantas as que eu amei!
Mas tu - que rude contraste!
Tu, que jamais me beijaste,
Tu, que jamais abracei,
Só tu, nesta alma, ficaste,
De todas as que eu amei.Só Tu
Dos lábios que me beijaram,
Dos braços que me abraçaram
Já não me lembro, nem sei…
São tantas as que me amaram!
São tantas as que eu amei!
Mas tu - que rude contraste!
Tu, que jamais me beijaste,
Tu, que jamais abracei,
Só tu, nesta alma, ficaste,
De todas as que eu amei.
¬ Paulo Setúbal ¬

Só uma coisa me entristece
o beijo de amor que não roubei
a jura secreta que não fiz
a briga de amor que não causei
nada do que posso me alucina
tanto quanto o que não fiz
nada que eu quero me suprime
do que por não saber, ainda não quis
só uma palavra me devora
aquela que meu coraçao nao diz
só o que me cega e o que me faz infeliz
é o brilho do olhar que não sofri...
¬ Sueli Costa ... Abel Silva ¬
"Se não for para voar até o céu,
Não me peça para tirar os pés do chão."


Pode ser que um dia deixemos de nos falar,
mas, enquanto houver amizade,
faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe.
Mas,se a amizade permanecer,
um do outro ha de se lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos.
mas,se formos amigos de verdade,
a amizade nos reaproximara´.
Pode ser que um dia não mais existamos.
Mas se ainda sobrar amizade,
nasceremos de novo, um para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe.
Mas,com a amizade
construiremos tudo novamente,
cada vez de forma diferente,
sendo único e inesquecível cada momento
que juntos viveremos e nos
lembraremos para sempre
Aquilo que está
escrito no coraçao
não necessita de agendas
porque a gente não esquece.
O que a memória ama
...
fica eterno.
¬ Alice Ruiz ¬
Seu nome esqueci sim
Só dói quando
Chamo por mim
¬ Alice Ruiz ¬

"É erótico ver uma mulher que sorri,
que chora, que vacila,
que fica linda sendo sincera,
que fica uma delícia sendo divertida,
que deixa qualquer um maluco sendo inteligente.
Uma mulher que diz o que pensa,
o que sente e o que pretende. "
¬ Martha Medeiros ¬

Eu quero um colo, um berço,
um braço quente em torno ao meu pescoço,
uma voz que cante baixo e pareça querer me fazer chorar.
Eu quero um calor no inverno,
um extravio morno de minha consciência e depois sem som,
um sonho calmo, um espaço enorme,
como a lua rodando entre as estrelas.
Fernando Pessoa

Me cuidarei, pode deixar.
Me cuidarei para estar inteira amanhã de novo, para te ver de novo, te beijar de novo.
Me cuidarei para me tocares com suavidade, para nunca encontrares um arranhão sobre a minha pele.
E cuidarei do meu humor, dos meus cabelos, cuidarei para não perder a hora, cuidarei para não me apaixonar por outro, cuidarei para não te esquecer, vou me cuidar.
Fica a meu encargo voltar pra você do mesmo jeito que você me viu hoje.
É de minha responsabilidade não ficar triste, não deixar ninguém me magoar, não deixar que nada de ruim me aconteça porque você me ama e não agüentaria.
Claro que me cuido, nem precisava pedir.
Te cuida, dissera ele. E eu ouvi como se fosse um
Te amo...
¬ Martha Medeiros ¬
"Hoje eu não sei dizer! Só sei sentir.
Há dias em que as palavras não são capazes de traduzir
o sentimento. E por isso a solidão se instaura, a sensação
de estar só é a mesma de não saber dizer.
Talvez seja por isso que só as pessoas que verdadeiramente
se amam são capazes de suportar o silêncio...
Ficar calado é uma forma de dizer sem conceituar.
Os conceitos são formulações fáceis, o silêncio não.
Descobrir o que o silêncio diz requer mestria, observação
minuciosa. É bom não saber dizer...
Bom mesmo é ser compreendido, mesmo quando não sabemos dizer...
Amar é uma forma de crer em silêncio!"
¬ Padre Fábio de Melo ¬

Que corajosos somos nós,
que apesar de um medo tão justificado,
amamos outra vez e todas as vezes
que o amor nos chama,
fingindo um pouco de resistência
mas sabendo que para sempre
é impossível recusá-lo.
¬ Martha Medeiros ¬


...Sempre que partes, morro um pouco
por não saber se retornas.
Minhas mãos doem de tanto abrir-se
para que vás tranqüilo.
Só assim hás de querer estar comigo;
sem que eu insista
(Fingir que te deixo livre
é um jeito egoísta
de amar.)
¬ Lya Luft ¬

Cheiro de infância tem o perfume de café torradoda torrefação, que tinha na minha rua.
No final da tarde, o perfume suave e deliciosamente penetrando em meus sentimentos.
De criança levada, a brincar na rua, sem perigo, sem movimento de carros.
Na minha infância, todos brincavam na rua
E não tinha ninguém que trocasse um jogo de bolinha de gude por nada nesse mundo.
Ou mesmo um chá de bonecas. Ah! que delícia...
Tinha madrinha e tudo.
Bolo em forminha de empada...Vestido novo feito por nós, de retalhos que a vovó guardava.
Laço de fita, e velinhas.
Eu era a única menina entre os 9 netos dos meus avós mas, meus primos sempre me faziam os "mimos" assim, tanto eu brincava com eles com seus brinquedos de "meninos" como jogar pião, estilingue, bolinhas de gude e carrinho de rolemã, quanto eles brincavam comigo com minhas bonecas. Eu adorava..."mandava" em todos, mesmo eles sendo mais velhos do que eu. E eles não reclamavam, ao contrário, sempre gostavam de também brincar comigo. E eu, saia distribuindo afazeres... você é o pai, você o tio, outro o irmão, os outros os primos e pronto! A família da boneca era enorme...
Entre as bolinhas de gude, o carrinho de rolemã e as bonecas, nunca sabia decidir o que mais me atraía. Brincava de tudo, sem malícia, sem violência, sem distinções entre meninos e meninas. Éramos crianças e agíamos como tais. Nada de milhões de aulas de dança, inglês, judô, natação... e tantos outros compromissos que os pais hoje impõem aos filhos, por falta de tempo de estar com eles, de dar-lhes carinho e atenção. Ligam a "babá eletrônica" - a televisão , hoje mais sofisticada - o computador - e pronto: lançam seus filhos ao mundo. Às vezes me pergunto: quais serão as lembranças dessas crianças amanhã? Que cheiros os farão lembrar de suas infâncias? Que brincadeiras terão eles a recordar?
Ah! meus amigos... que pena!
Mas, digo a vocês que, é doce e perfumado o cheiro da minha infância, porque foi feliz e despreocupado como deve ser a vida de criança.
¬ Rosy Beltrão ¬
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