

Quero ver você não chorar
Não olhar pra trás
Nem se arrepender do que faz.
Quero ver o amor vencer
E se a dor nascer
Você resistir e sorrir.
Se você pode ser assim
Tão enorme assim eu vou crer
Que o Natal existe
E ninguém é triste
Que no mundo há sempre amor.
Bom Natal, um feliz Natal
muito amor e paz pra você

beijo meu
Ana...

"A Marcha do Tempo"
Era uma vez um velhinho que caminhava com um passo lento num caminho pedregoso. Tinha o dorso arqueado e as suas roupas pendiam um pouco miseravelmente ao longo do seu corpo. Seguia-o um cão arrastando a pata e com a língua de fora. Não se sabia qual dos dois estava pior. E eis que o cão caiu morto de cansaço. O homem limitou-se a olhá-lo com um ar infinitamente triste e continuou o seu caminho. Sozinho novamente, o velho parecia transportar no seu olhar toda a miséria do mundo.
Um pouco mais à frente, uma criança correu ao seu encontro e com a confiança e espontaneidade dos pequeninos disse:
- Posso ir contigo?
- Se quiseres- respondeu o homem.
O pequeno saltitava ao seu lado. Depois, perguntou-lhe:
- Porque é que o sol se deita todas as noites?
- É necessário que o sol se deite todas as noites para que se possa levantar-se -respondeu o velhinho com o ar mais sério do mundo.
- Isso é verdade, eu nunca tinha pensado nisso - retorquiu o menino.
O velhinho sorriu e de repente a criança foi-se embora, tão naturalmente como tinha vindo.
- Tenho que voltar para casa. Adeus velhinho.
- Adeus pequenote.
Caminhava desde que o mundo é mundo
Mais longe ainda, um homem aproximou-se do velhinho. Tinha uns
quarenta anos mais ou menos, mas não tinha bom aspecto. Este homem tinha preparado a sua trouxa e preparava-se para partir para longe. Vendo o velhinho na sua estrada, disse para consigo:
- Muito bem, eis que encontrei um companheiro!
E pediu-lhe para acompanhá-lo. O velhinho aceitou. Ele nunca recusava uma companhia, qualquer que ela fosse. Durante longas horas, ele escutou atentamente o homem que contava as suas infelicidades e, pouco a pouco, este parecia sentir-se aliviado.
Chegada a noite, passaram junto de uma cabana. O homem com a trouxa começava a sentir-se fatigado e propôs:
- Está-se a fazer noite. Pernoitemos aqui.
Mas o velhinho respondeu que devia continuar o seu caminho. O velhinho, sem abrandar a sua caminhada, acenou-lhe amigavelmente. Depois, afastou-se na escuridão e o barulho dos seus passos perdeu-se na espessura da noite.
E os dias continuaram o seu curso; o velhinho caminhava sempre. Apesar do seu ar vagabundo, inspirava respeito àqueles que encontrava. Frequentemente, quando passava perto de um casa por volta do meio-dia, as mulheres interpelavam-no:
- Ei, velhinho, tens um ar fatigado. Vem partilhar o pão connosco e repousar um pouco!
Ele respondia:
- Obrigado, mulher generosa, mas não é possível. Eu sou o tempo e o tempo nunca pára.
Então uma criança correu atrás dele para lhe dar ao menos um pedaço de pão e deixá-lo prosseguir a sua viagem sem fim. No entanto, o velhinho teria gostado de parar ao menos uma vez, poder repousar as suas pernas cansadas, nem que fosse por alguns minutos e contemplar, imóvel, um rosto virado para ele. Mas o tempo tem outro destino: caminhava desde que o mundo é mundo. Caminhava de dia, caminhava de noite, sob o sol e a chuva. Já tinha percorrido todos os caminhos da terra e recomeçava, eternamente.
Uma noite em que caminhava sem parar, pareceu-lhe que o céu estava mais claro do que de costume e que o ar tinha um sabor diferente. Endireitou as costas para respirar a plenos pulmões e sentiu-se alegre sem saber porquê. Três pássaros esvoaçaram à sua volta chilreando ao mesmo tempo, como para lhe anunciar alguma coisa. Ao longo do caminho, viu que as flores se tinham esquecido de fechar a corola com a noite. Elas abriam as pétalas e ofereciam o coração à carícia da lua. Como era bom caminhar naquela noite!
Depois, levantando a cabeça, o velhinho notou no céu uma estrela que não conhecia. Desde que caminhava, tinha já contado e recontado todas as estrelas: aquela, tinha a certeza de nunca a ter visto. E como era bonita, aquela nova estrela, que brilhava com mil luzes sem encandear os olhos! O velhinho fixou nela o seu olhar. A estrela avançava suavemente e seguiu-a sem quase se dar conta disso.
Teve a impressão de também sentir a respiração da noite, uma brisa suave que invadia o silêncio. Era mesmo uma música, que tinha começado como um sussurro e que se aumentava agora, envolvendo a terra com um manto de cânticos e notas.
Num cruzamento de caminhos, três homens que caminhavam com um passo decidido juntaram-se a ele. Um pouco mais à frente havia um outro grupo. O velhinho distinguiu entre eles vozes de mulheres e de crianças.
E ouviu descer um rebanho de uma colina, fazendo tilintar as campainhas e ressoar os chamamentos dos pastores. No entanto, àquela hora deveria dormir-se. Que faziam eles, naquela noite, caminhando todos na mesma direcção?
- Onde ides? - perguntou o velhinho.
- Nasceu o Salvador. Vamos adorá-lo - responderam-lhe de todos os lados.
Era então isso! Chegavam agora pessoas de todos os lados. O velho juntou-se à multidão dos primeiros peregrinos que tinham chegado das colinas e a música do céu ritmou o barulho dos seus passos.
De seguida, na parte debaixo de uma pequena colina, descobriram uma pobre gruta. A estrela tinha parado por cima dela e inundava-a com uma luz suave. Um a um os pastores correram para a porta. O tempo compreendeu que era para chegar ali que caminhava há séculos. Como os pastores que o rodeavam, também ele, pela primeira vez na sua longa, longa vida, parou.
Não se passou nada de extraordinário. O Menino estava lá, entre José e Maria, e os seus grandes olhos abertos acolhiam cada um dos que entravam com uma infinita doçura. Todos se ajoelharam. Cada um apresentou-se, na sua vez. Muitos tinham trazido presentes: pequenos objectos cheios de amor que tinham escolhido com toda a ternura do seu coração.
Quando chegou a vez do velhinho se apresentar, mostrou as suas mãos vazias.
- Não tenho nada para oferecer, disse. Eu sou o Tempo, mas este Tempo eu dou-to.
O Tempo prostrou-se por terra. Maria veio pousar a mão no seu ombro.
- Também tu, caro velhinho, vais receber um presente - disse-lhe ela. Doravante, terás o poder de parar a tua marcha sempre que isso for necessário.
- Como é que eu saberei que esse momento de parar é chegado? Perguntou-lhe o velhinho.
- O teu coração to dirá.
E foi tudo. Depois dele, um pastor ofereceu-lhe um cordeiro recém-nascido e uma menina cantou a mais bela canção que conhecia. Pela pequena porta estavam sempre a entrar novos visitantes. Não se pode dizer quanto tempo tudo isto durou. Parecia que o tempo já não existia. E é verdade que tinha parado e que olhava maravilhado a festa que decorria à sua volta.
Foi o último a partir. Mas quando se levantou, já não era um velhinho como até ali: retomara o aspecto de um jovem, na força da idade. Ao deixar a gruta e ao retomar o seu caminho, fechou os olhos por alguns instantes para contemplar dentro de si este momento tão belo que acabava de viver. Depois, abriu-os e a terra parecia-lhe diferente da que ele conhecia. Ou melhor, seria ele que tinha mudado?
Mais tarde, já em pleno dia, caminhando com um passo suave sob o sol, encontrou uma velhinha carregando lenha. O molho tinha um aspecto pesado para ela que caminhava com dificuldade. A carga era da sua altura e, de repente, toda a lenha caiu e se espalhou pelo chão. Imediatamente uma vozinha infiltrou-se no coração do Tempo:
?Pára? - sussurrava-lhe a voz, e o Tempo parou.
- O molho é grande e pesado para uma mulher tão frágil como a senhora - disse o Tempo. Deixe-me ajudá-la!
À vista do olhar de agradecimento da mulher, ele apanhou os paus de lenha e carregou-os aos seus ombros.
- Onde vamos agora? - Perguntou o tempo num tom alegre. E acompanhou-a até à sua casa.
Para lhe agradecer, ela quis retê-lo e oferecer-lhe alguma coisa. Mas ele recusou a oferta.
- Desta vez eu devo partir - disse o Tempo, e fez-lhe um grande sorriso que lhe aqueceu o coração para todo o dia.
Depois, ele continuou a sua marcha muito feliz. Sentia-se mais leve que o ar e mais luminoso que a luz.
E é desde esse dia que, como certamente já adivinharam,
o Tempo pára quando se ama.
.
- Sylvie Garroche -

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Declaração
.
Nada é igual ao seu abraço
quando me enlaça pela cintura
sinto-me tremer de emoção
sinto desejo de você...
Nada é igual ao seu beijo,
sinto explodir o desejo
e meu corpo dói...
Seu beijo tem o sabor do mel,
quando me beija sinto minha
boca doce como favos
e num sorriso de pura felicidade
me leva provar o céu!
.
- Marta Peres -

...Me permita ser está noite a voz que
canta para ti a mais bela canção..
Como quem chega
das distâncias eu estarei nesse momento
bem próximo do teu coração...
Nas curtas horas realmente longas
cada minuto um porquê da tua ausência
cada instante o desejo visceral da tua presença...
- Agostinho Neto, A Renúncia Impossível -

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta. Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar ".
- Victor Hugo -

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